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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dos tecidos às pen drives: a evolução das mídias de armazenamento

Tiago Cisneiros


Há duas semanas, pensei ter voltado no tempo. Recebi um envelope e, dentro dele, um disquete. Agora, você pergunta: “Isso ainda existe?”. É, existe. As novas gerações, acostumadas às pen drives, mal conhecem as antigas mídias de armazenamento. Vamos dar uma mãozinha e apresentar o resumo do que já foi usado para salvar arquivos digitais.

Tudo começou na França, em 1801, quando o tecelão Joseph-Marie Jacquard criou um cartão de perfuração para guiar teares. O primeiro computador eletrônico, desenvolvido por militares norte-americanos durante a Segunda Grande Guerra, utilizava uma ferramenta similar. Com 5,5 metros de altura e 25 de comprimento, a máquina processou, no teste oficial, um milhão de cartões, produzidos pela IBM. A folha de papel tinha o tamanho de uma nota de dólar, provavelmente, para ser guardada na carteira.

Em 1971, a IBM criou um quadrado de 20 por 20 centímetros, isto é, oito polegadas. O primeiro disquete suportava cem kilobytes (Kb), equivalente a uns cinco arquivos de texto pequenos. Em 1976, mais nove empresas começaram a produzir o dispositivo, com 5,25 polegadas (13 centímetros) e capacidade de armazenamento de até 1,2 megabytes (Mb).

O modelo que recebi é fruto da Sony, data de 1981, tem 3,5 polegadas (oito centímetros) e capacidade de 1,44 a 2,88 Mb. Esse foi o disquete que se espalhou pelo mundo. Uma pesquisa da Recording Media Industries Association of Japan indica que, em 1988, foram vendidas dois milhões de unidades do produto; há três anos, 700 milhões. O sucesso se foi com o tempo e o surgimento de novas demandas. Hoje, segundo o mesmo estudo, só 2% dos computadores têm entrada (drive) para o dispositivo.

Mas, ainda, há quem recorra ao disquete quando precisa salvar um arquivo. Para a coordenadora do curso de ciência da computação da Universidade Católica de Pernambuco, Ana Eliza Moura, a prática está vinculada a questões financeiras. “O disquete custa menos de R$ 1. Isso atrai muita gente que não pode gastar R$ 20 em uma pen drive. Uma mídia antiga é útil quando temos uma emergência ou se as informações não são volumosas”, avalia.

Ana Eliza destaca, ainda, a dificuldade de parte da sociedade em usar os novos produtos. “As pessoas mais velhas preferem mídias tradicionais, como disquetes. Eu, por exemplo, já dei duas pen drives ao meu pai, mas ele não consegue se adaptar à tecnologia.”

Criados, respectivamente, nas décadas de 1980 e 2000, os CDs e pen drives revolucionaram o campo das mídias de armazenamento. Entenda o porquê:

CD de 700 Mb = 486 disquetes de 3,5 polegadas ou 896 disquetes de oito polegadas.

Pen drive de 1 Gb = 712 disquetes de 3,5 polegadas.

A evolução continua, mas isso é tema para Novidades. Por enquanto, corro atrás de um drive para o disquete do envelope.

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